5 Tendências do Futuro da Indústria

A industrialização é um tema bastante falado ultimamente e está a passar pela maior mudança dos últimos 100 anos. Os empregos domésticos desapareceram em muitos países devido à globalização. A deslocalização de pessoas para as grandes cidades e centros industriais é outro indicador do avanço tecnológico e social que estamos a viver e a automação ameaça substituir mais trabalhadores todos os dias. O modo como construímos os nossos bens e produtos que alimentam a nossa economia e as nossas vidas nunca mais serão iguais.

A Quarta Revolução Industrial vai mudar a forma como produzimos e consumimos
Imagem: Reuters/ Matthias Rietschel

Numa publicação do professor Klaus Schwab, “The Fourth Industrial Revolution”, diz-nos que estamos no meio de outra revolução industrial, a quarta. A primeira revolução industrial ocorreu por volta de 1750 em Inglaterra e rapidamente se espalhou por França, Bélgica e posteriormente Itália, Alemanha, Rússia, Japão e Estados Unidos, onde a principal manufatura era a tecelagem de lã. Mas foi na produção dos tecidos de algodão que começou o processo de mecanização, ou seja, da passagem do trabalho manual para o sistema fabril. A segunda revolução deu-se no inicio do século 20 com o aparecimento dos automóveis e a terceira surgiu depois da II guerra Mundial com o desenvolvimento dos computadores. Como resultado destas revoluções, os produtos são fabricados de forma mais rápida e com maior consistência, e os que se desenvolvem são cada vez ais complexos e têm maior valor para os consumidores.

A revolução industrial que estamos a viver neste momento, denominada Indústria 4.0, é alimentada por avanços que incluem fabricação inteligente, robótica, inteligência artificial e a internet das coisas (IoT). Além de incitar os fabricantes a investir milhões de euros na IoT, a Indústria 4.0 está a revolucionar a indústria em cinco dimensões.

1. Visão 360º

Novas ferramentas permitem que as empresas criem e testem os seus produtos num mundo virtual para simular o processo de design e a linha de montagem antes que o produto real seja criado. Simular os produtos na fase de desenvolvimento, ajuda a diminuir o tempo de produção. Existem empresas que usam a realidade aumentada (AR) para fazer assistência remota, permitindo que, pessoas em diferentes locais do mundo se conectem e solucionem problemas em conjunto. Isto permite que um engenheiro na China consulte um engenheiro nos EUA, numa questão técnica e receba o feedback em tempo real através de uns óculos de AR, acelerando a resolução de problemas e reduzindo significativamente os custos da viagem.

2. Impressão 3D

Outro dos principais avanços tecnológicos é a impressão 3D, que permite a criação perfeita de produtos tangíveis usando apenas uma única máquina. Esta é uma das mudanças fundamentais, porque abre um leque de possibilidades nunca antes possível até agora. Para uma determinada categoria de produtos, onde normalmente eram necessárias 6 peças, com a impressão 3D pode conseguir a mesma coisa de uma só vez, sem processos adicionais.  A impressão tridimensional reduz o desperdício através da reciclagem de plástico e reduz o tempo de espera.

Estrutura de cimento impresso em 3D na Nanyang Technological University (NTU),
Singapura  16 de junho de 2017. 
Imagem: Reuters

3. Automação

A automação é outro aspeto vital no futuro da indústria e permite um nível de precisão e produtividade além da capacidade humana, mesmo em ambientes que seriam considerados inseguros para as pessoas. A nova geração de robótica não é só mais fácil de programar como também fácil de usar com recursos como o reconhecimento de voz e imagem para recriar tarefas humanas complexas. Outra vantagem dos robôs é que eles fazem exatamente o que lhes pedem para executar.

4. Construir fábricas inteligentes – na cloud

Além da robótica e da realidade virtual, os ambientes das empresas também estão a gerar avanços na computação na cloud e nos sensores inteligentes. Os sensores inteligentes podem executar tarefas como a conversão de dados em diferentes unidades de medida, a comunicação com outras máquinas, a gravação de estatísticas e comentários e a interrupção de dispositivos se surgirem questões de segurança ou de desempenho. As funcionalidades IoT podem analisar cotas de produção e criar modelos de manutenção preventiva.

Com a IoT é possível obter informações certas no momento certo para tomar decisões acertadas. A computação na cloud permite às empresas extrair e analisar informações que afectam o ciclo de vida do produto. Os dados recolhidos por sensores inteligentes juntamente com o feedback gerando pelos consumidores terão um impacto significativo na pesquisa e desenvolvimento, aumentado a velocidade de produção e reduzindo os custos, que em ultima análise, impulsionará a inovação.

5. Ascensão dos robôs – geridos por humanos

Construir um setor de produção melhorado com a realidade aumentada e virtual, a robótica e a análise de dados usando equipamentos inteligentes aumentaram naturalmente uma questão importante: como serão os trabalhadores da Indústria 4.0? Embora ainda existam alguns desafios importantes, a obvia preocupação dos robôs é deslocalizar empregados. A maior parte da automação é usada para o trabalho que seria considerado inseguro ou impossível para os humanos. Isso faz com que os robôs sejam um complemento e não um substituto.

Robô opera numa linha de produção numa fábrica de painéis solares REC,
Singapura 5 de maio de 2017. Imagem: Reuters/Edgar Su

Ainda precisaremos de pessoas que possam gerir operações, desenvolver a robótica, programá-las e fazer a sua manutenção. Assim como houve uma mudança no trabalho manual para o fabril no início do século XX, quase todos os setores precisarão de novos tipos de trabalhadores: os que irão construir o software, outros o hardaware e ainda outros que produzirão o firmware. Cerca de 15 milhões de novos empregos irão ser criados nos EUA na próxima década como resultado direto da automação e da inteligência artificial, equivalente a 10% dos trabalhadores, de acordo com as estimativas da Forrester Research.

O aumento da eficiência poderia significar um futuro brilhante para a produção. Uma mudança para a produção inteligente economizará o dinheiro das empresas e se traduzirá em maiores lucros, mais empregos e economias mais saudáveis. À medida que as máquinas se mudam para uma era mais complexa os trabalhadores e produtos também, de forma simbólica, iniciam uma nova era de produção.

Ago 11, 2017 @ 12:38|