Muito se tem falado na Indústria 4.0 e no que as novas tecnologias podem oferecer à indústria de moldes. É verdade que se trata de um dos setores tecnologicamente mais avançados na indústria portuguesa com processos de elevada complexidade mecânica, mas isso não significa que a tecnologia de última geração seja sempre a condicionante mais importante para o nosso negócio.

Cumpre previamente identificar quais as carências do nosso processo e analisar muito bem o impacto negativo que isso possa ter na prossecução dos objetivos definidos.

Num sector que compete tradicionalmente pelo preço, prazos de entrega e qualidade no produto ou serviços prestados, é fundamental que o modelo de gestão seja pensado em produzir cada vez mais rápido, a um custo mais reduzido e garantindo um serviço de excelência que nos possa diferenciar. Há que analisar a situação atual, quais os processos, ferramentas ou tecnologias a implementar para melhorar a competitividade. Só depois é possível concluir se existe uma necessidade critica de implementação de sistemas avançados de IoT ou se existem ainda lacunas a montante importantes de colmatar.

Muitas empresas estarão já nesta fase avançada a quem recomendo as soluções de IoT e realidade aumentada ThingWorx, porém outras haverão que ainda necessitam melhorar alguns automatismos e processos antes de mergulhar no mundo da Indústria 4.0. Esta onda tecnológica pode oferecer modelos de negócio cada vez mais atrativos e diferenciadores, mas que podem não estar diretamente relacionados com os objetivos reais da empresa que observamos mais atrás.

Falamos de redução de custos, redução de prazos e aumento da qualidade, onde sinceramente muito se tem batalhado, mas quase sempre naquilo que nos oferece maior evidência, ocultando outras fases críticas que têm importância no processo global. Temos sistemas de CAD fantásticos como o PTC Creo que automatiza processos, acelera a criação, reduz erros e garante a máxima produtividade dos desenhadores, temos uma indústria que utiliza processos de maquinação e equipamentos de última geração, adquiridos aos melhores fabricantes de máquinas do mundo, e ainda assim sentimos algumas debilidades quando nos comparamos com modelos externos de Países com as mesmas características que competem diretamente com o nosso setor conseguindo ganhar por vezes no preço e nos prazos de entrega.

Há processos nas nossas organizações que carecem de maior eficiência, que têm de ser melhorados e que se não agirmos vão-nos empurrar consecutivamente para a cauda da cadeia de sucesso. Ficaremos felizes em épocas de abundância, mas quando escasseia o trabalho iremos lamentar a nossa falta de competitividade. Temos de nos focar no que podemos fazer para melhorar a nossa performance e um dos fatores mais determinantes, que é a base de qualquer negócio e que tem sido um pouco esquecido pelos nossos empresários, é o controlo e tratamento da informação.

Se observarmos as empresas que mais cresceram nos últimos anos são as que estão relacionadas com as tecnologias de informação e tratamento de dados, Google, Microsoft, Facebook. A informação hoje é tão alargada e altera-se de forma tão rápida que as empresas que melhor se prepararem para tratar a informação são as que melhor posicionadas vão estar nos seus respetivos setores, seja nos serviços ou na transformação. À semelhança destes modelos de negócio temos de encontrar processos e tecnologia que nos permita tratar eficientemente a informação e poder comunica-la facilmente entre toda a organização.

Precisamos de um sistema que nos poupe tempo na comunicação, que aproxime departamentos, que reduza os erros. Não basta termos a melhor capacidade produtiva instalada, temos também de saber comunicar a informação que produzimos diariamente. Não basta terminarmos a nossa tarefa e colocarmos um desenho numa pasta. A informação é cada vez mais dinâmica e está em constante alteração, temos de ter um processo que nos obrigue a acompanhar a velocidade dessa transformação. Temos de ter um sistema que nos disponibilize a informação mais recente, que nos indique quais os próximos passos, que nos garanta um histórico de informação para consultar e que acompanhe todas as fases de criação do molde. Precisamos de um sistema que compile toda a informação pertinente relacionada com o meu produto, desde o caderno de encargos até às instruções de montagem. Só um sistema PLM como o PTC Windchill capaz de gerir qualquer tipo de informação (independentemente do CAD ou CAM) nos pode catapultar para a fase seguinte onde não temos a máquina parada à espera de um desenho, não temos versões obsoletas e acima de tudo não temos tarefas repetitivas que acrescentam tempo ao projeto, que vão encarecer o molde e atrasar os prazos de entrega.

Temos felizmente na nossa praça várias empresas com o processo de comunicação automatizado e que devem avançar para o passo seguinte, mas existem muitas outras que continuam sem perceber como se conseguem praticar preços mais baixos que os deles quando têm os melhores projetistas e as melhores máquinas do mercado.

Vivemos num setor demasiadamente competitivo onde todos os pormenores contam e o controlo e tratamento da informação é sem dúvida um dos mais importantes com que todas as organizações se deveriam e preocupar.

por Bruno Sousa, Diretor Geral TCA